quarta-feira, 25 de novembro de 2009

hoje.

hoje acordo de um sonho quente e de tema recorrente, sorrindo. e quase conto prá ele.
hoje tenho as narinas entupidas e a garganta coçando, caminho mais de uma hora no sol e acho até bom.
hoje vejo pela milionésima vez os três porquinhos nessa versão bregasinha que o tunico adora e adoro ver qualquer coisa com tunico, que se aprochega pertinho assim.
hoje converso com o maurício sobre previsões de sonhos realizados e os olhos brilham de esperança.
hoje encontro muitos tios e tias e eles não parecem tão assustadores prá mim. hoje sinto habitar o mesmo chão, compartilhar do mesmo ar, olhar nos olhos.
hoje passo pelo dia assim, fácil, como quem quase sabe o que faz e o que quer.
ainda sinto muita dificuldade em abraçar a minha mãe pelo seu aniversário. hoje.
e eu acho que sei mesmo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

pedindo proteção e luz prá iluminar o caminho.


domingo, 15 de novembro de 2009

só prá acabar com esse descuido.
















sexta-feira, 18 de setembro de 2009

porque falar da vida com você é bom.


e porque falar torna tudo mais leve e faz avistar o possível. e porque dessa vez não se quer pausar o falar e ir deitar na cama. e se sente a força que te faz querer até levar o outro pela mão, aquele outro a quem você tem amor.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

oba.


eu me exclamei toda e tombei assim a cabeça de lado, sorrindo, com os olhinhos dançando, cheia de dengo.

olha!!! como é grande esse mundo que mora aqui dentro da gente!

domingo, 6 de setembro de 2009

agosto passou.

agosto foi mês de silêncios. silêncios. silêncios.
como se espreitada, paralisada de medo, paralisada de morte. como se na espreita, em dúvida o tempo todo, em dúvida de existir. estive escondida do mundo, me procurando feito doida. perdi a mulher que eu era, joguei pela janela, em busca de existir.
setembro veio e os 33. vem vindo flor, um sopro e um passo à frente. dei um passinho cheia de ânsias de correr. correr. correr de sentir o vento bater na cara. a cara sorrindo o sorriso que não vai embora. mas calma, dei um passinho. e isso já é um buraco imenso a menos no peito.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

CLAREIA O CAMINHO, QUE EU TÔ INDO.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

até chegar.


não se levante prá sair agora. eu também me sinto assim, mas vou ficar. vou ficar prá ver quando as luzes se acenderem. estarei atônita com a beleza que me fará calar e sorrir. um sorriso que não vai embora.

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as bochechas rosadas. as árvores cheias de frutos. os pés no chão. e eu aqui. em pé e sorrindo. o sorriso que não vai embora.

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quando eu não precisar mais pedir e puder oferecer. quando o sol vier. eu caminhando com certeza. e sorrindo o sorriso que não vai embora.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

é tempo de ipês florirem.

êxtases prá todo lado.
.
.
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"senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
com janelas de aurora e árvores no quintal -
árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.
o que desejo é apenas uma casa.
em verdade, não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
quero apenas uma casa em uma rua sem nome.
sem nome, porém honrada, senhor.
só não dispenso a árvore,
porque é a mais bela coisa que nos destes e a menos amarga."
manoel de barros.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

um momento no domingo.


iam fazendo livres associações das coisas que os olhos viam com deus. numa dessas ela perguntou pela primeira vez, pela primeira vez verdadeiramente, sobre o que é o amor. mas não se comprometeu com respostas. de volta, se entregava ao batuque, ah, os batuques lhe arrepiavam a pele, lhe acariciavam os seios, difícil dizer. andava ligada nos cheiros. mas quando tentava ir chegando mais perto, sem graça, sempre se furtava, por vergonha, pois tinha que fechar os olhos e quase sempre esbarrava nas coisas e pessoas. mas agora ela fecha os olhos e as palavras, as imagens, os sons lhe abandonam. os cheiros não.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

doce.


terça-feira, 14 de julho de 2009

sobre o peso das coisas não ditas.

que mudam a cor do lugar, dão um amargo na boca, um incômodo no corpo, vontade de levantar. o silêncio é todo povoado de sensações cinzas. os olhos procuram outro lugar.
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nós nos gostamos. estamos aqui. todos iguais.
abracemo-nos talvez. ou povoemos esse momento de risos. medrosos. histéricos.
ou de choros. sofremos. oras, sofremos.
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olha, essa pose, esse carregar lenha de salto alto. vou te dizer, não sei fazer isso não. prefiro te dar minha mão e mostrar que sou toda lesa, toda boba, fraquinha de tudo, cheia de não saber, cheia de medo bobo, de vergonha, pesar, de dor. mas só sei se for assim. se eu te mostrar.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

coralina.

chegou prá mim um presente usado, rasgado, sujo, estrupiado. semi-morto. meus olhos que não são bondosos nem nada se apaixonaram de cara por sua feiúra. aquela feiúra dita sem jeito e sem esperança, fadada a se desfazer dia seguinte. mas nada. era força e valentia só, sempre soube. desde olhar aquele corpinho de sarna, pele e osso e aqueles olhos furados de pau e prego, mas vivos. vivos de um jeito que não morrem nunca. nunca mais companheira igual.

terça-feira, 30 de junho de 2009

hoje a pina morreu.




eu sou boba boba. eu sei. mal começo a escrever e choro. é porque tem gente que não deveria morrer. olho a pina dançando e não consigo saber como pode ser essa beleza tanta, que não se entende, não cabe. não entendo nada de dança e tenho uma paixão que chora que ri que se arrasta e que dança com a pina pela dança da pina. ela era a mulher mais linda do mundo. ela dava ao mundo a beleza daquelas indizíveis, que o olho mal pode olhar. e eu, que contava as horas prá vê-la, em setembro e cansei de dizer que ela era o presente de aniversário mais lindo da minha vida, poder olhá-la, de perto, de verdade, sinto vontade de beijar suas mãos e, boba boba que sou, choro. mesmo. triste, triste.
eu queria saber postar um vídeo.

"nada disso é prá você querer..."

olha, vou te contar, vou te dizer...
porque hoje eu sou muito mais eu do que você.

sábado, 27 de junho de 2009

foto.


terça-feira, 23 de junho de 2009

das belezas e do medo.



gostava de poesia e de passarinhos. de meninas de saia rodada, de cirandas, de música todo o tempo, de minas gerais, de cabelos trançados, de flor desabrochada, de flor em botão. gostava de clarice, alice, anita, margarida e maria. de sentar ao sol em dia de frio e do cheiro da dama da noite. difícil era desabrochar seu sorriso. ele transbordava descuidado quando via os manacás. era sempre um susto, um suspiro, um aperto no peito, quando via os manacás. gostava de amora e de uva e de olhar abraços, olhos que sorriem, mãos dadas, carinhos. só espiava. e gostava daqueles casais de velhinhos que andavam de mãos dadas e usavam chapéus, suspensórios, xales, meias, perfumes. queria ser uma daquelas, toda floral e solene e sutil e amada. e cuidada. e segurada pela mão, até a praça, o mercado, o calçadão... mas não gostava de espelhos e se olhasse prá frente na vida via uma velhice doida, incontida, que não se reconhece nem se vê, que grita por não saber o que fazer com o que se é, que borra o batom e não usa xale, mas xinga. que não planta manacás, que é murcha e cheia de espinhos, enorme e de raíz tão profunda e tão forte que mal pode morrer. gostava de amarelo, de rosa e de vermelho. de chocolate branco e de deitar no colo. de céu do interior, de temperos, sementes, ervas, grãos. da tia lourdes, de gato amarelo e de gato cinza. fazia tanto tempo que não via a tia lourdes que nem sei, e das vezes que via, não falava com ela, quase. não tinha gato e sua cora tinha ido embora. tinha ido embora mas disso ela nem queria dizer.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

oba!!!! é tempo de festa junina!!!!

tunico e o pastel. paulete, tunico e o amor.

sábado, 13 de junho de 2009

da minha infância não lembro quase nada.

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nada das datas, nada dos presentes, dos passeios ou brinquedos. das casas apenas a cama dobrável e desconfortável na porta do banheiro espremida, a casa escura e minha mãe chorando baixinho no meio da noite.
de mim, sempre boa e calada, cabelos trançados, laços de fita. o isolamento na escola, o parque imenso e assustador.
o que tenho de mais vivo em mim é ainda aquela folha debaixo d'água.
o que mais tarde eu soube tratar-se de um quase afogamento, motivo de desespero entre os familiares, prá mim... é a lembrança boa da infância.
eu livre, como se voando, naquele mundo de encantamento, como se dançando no ar, e aquela folha linda, de cor indefinida, dançando cúmplice comigo.
não sei quantos segundos duraram esse sonho em vida, até que pulassem em pânico prá me roubar dele, mas são nítidos e mágicos ainda em minha memória.
além disso, quase nada... a cama dobrável, a casa escura, os choramingos de sempre, o medo das pessoas, os laços de fita. eu, calada, sempre.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

entre os muros da escola.

"entre os muros da escola", de laurent cantet, frança, 2008.
.
tardiamente, fui ver. pedagoga que sou, não deu prá não se identificar. e não pensar uma vez mais, como a todo momento, que escolher determinados caminhos implica em aceitar a vocação de acolher o outro e, como no amor, aceitar o outro como um legítimo outro. todo o tempo.
assim disse maturana, assim digo eu.
e porra, que difícil!
não rola sem doação. sem comprometimento. sem sensibilidade. sem amor.
é piegas e chavão. mas não dá prá ser sem isso. educador é profissão de fé e coragem. muita.
belíssimo filme!!!! mil vezes belíssimo!!!!

sábado, 6 de junho de 2009

e sorrio.

porque tem o amanhã. e tem o depois do amanhã.
porque às vezes eu escolho sorrir.
e noutras escolho chorar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

hoje.

colocaram bancos bonitos de frente para as árvores.
soltaram balões com sementes dentro.
fui até lá longe só prá ganhar aquele abraço seu, não dizer uma palavra, voltar.
andamos por todo o caminho pisando ora só no preto. ora só no branco. e chegando lá, ele olhou prá cima e disse: mãe, o teto é inquível!
mandei uma mensagem dizendo só: querida...
arrumei nossa cama do jeito mais bonito, te cubri, beijei seus olhos fechados.
eu decidi que iria sorrir a todos que eu cruzasse hoje. e o fiz.
agora vou deitar com um imenso silêncio aqui dentro. solidão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

ele me disse.

mulher bonita é mulher feliz.
eu fiquei puta.

domingo, 31 de maio de 2009


parte II

hoje teve sol. passeamos de carro a tarde toda. tomadas de sentires, gargalhadas, bobagens, mãos dadas, meninices, tolices brandas e floridas. ao passar pela represa, olhos fechados, janelas e sorrisos abertos. assim fomos, sonhando ser uma das moças das músicas do chico, sonhando com um amor... tão meninas. terezinhas.
"o primeiro me chegou como quem vem do florista,
trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista,
me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha,
me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha.
me encontrou tão desarmada, que tocou meu coração,
mas não me negava nada e assustada eu disse não.
o segundo me chegou como quem chega do bar,
trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar.
indagou o meu passado e cheirou minha comida,
vasculhou minha gaveta, me chamava de perdida.
me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração,
mas não me entregava nada e assustada eu disse não.
o terceiro me chegou como quem chega do nada,
ele não me trouxe nada, também nada perguntou.
mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer.
se deitou na minha cama e me chama de mulher.
foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não,
se instalou como um posseiro dentro do meu coração."
a gente chora a emoção pueril e gargalha nossa autocrítica.

rolê com a di.

noite boa. de reencontro com quem nunca saiu de perto. mas que andava prá lá, do lado que não quero ir. foi regado a inclassificáveis, do indizível e delicioso ney. e a noite aqui junto, bonita. bonita.

"viver ou morrer é o de menos

a vida inteira pode ser qualquer momento

ser feliz ou não, questão de talento."

ouça-me.

"você, eu tenho que ter
meu amor
prá poder comer
prá poder comer

você, eu tenho que ter
meu bem
prá poder dormir
prá poder dormir
prá poder dormir

você, eu tenho que ter
prá poder dizer
você, eu tenho que ter
prá poder dizer

entre a terra e a lua minha alma
tua
entre a terra e a lua minha alma
tua
entre a terra e a lua minha alma tua
entre a terra e a lua minha alma tua

já sabe o que eu sinto de cor
ou vou ter que escrever nos muros
gritar nas ruas
mandar por num outdoor

de tanto não poder dizer
meus olhos deram de falar
de tanto não poder dizer
meus olhos deram de falar

só falta você ouvir
bem que você podia pintar na sala
da minha tarde vazia

meu bem."

sábado, 30 de maio de 2009

me interessa.

me interessa suas coceiras, espirros, tropeços, engasgos, inflamações, tosses, expurgos, tiques, salivas, sonhos proibidos, vômitos, vergonhas, arrotos, medos, fraquezas, explosões, ânsias, desesperos, persistências, feridas, lágrimas, esperanças. me interessa sua nudez, sua exposição, suas pequenas alegrias, seus olhares, seus suores, seus odores, formas, cores, pernas e portas. abertas.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

o que maria queria?

terça-feira, 26 de maio de 2009

seres.


quando tô brincando com o tunico eu posso escolher ser qualquer coisa e ele me dá a consistência de ser.
só eu sei.

domingo, 24 de maio de 2009

vik com luxo.


vik com lixo.


vik.

.
acabo de chegar da exposição do vik muniz, no masp.
e chego flor.
.
por lá é tudo muito vivo, tudo muito cheiro, movimento tanto, toda cor e toda dança. e tem música...
.
estive tomada.
.
tantos olhares possíveis que não foi possível olhá-los todos. mas sentir sim... porque sentir é infinito. sentir é inevitável, é mais que respirar.
.
e eu que sou doente do olho e da língua, senti cada obra de corpo todo.
.
mas não sei dizer disso aqui. então digo só que cheguei flor toda fresca e multicolor.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

ela ia.

ela ia sem pensar nem pestanejar pro banheiro. trancava a porta e não se sentava em cima da tampa do vaso. despia-se e acomodava-se ali, curvada e apertada, de frente pro lixo sem tampa, terço de madeira enrolado entre os dedos, é bom começar logo vai, vai... ia rezando o terço querendo não se olhar de fora. se atentasse às palavras que dizia, protestava. reprimia-se. curvava os pensamentos aos seus desejos sexuais. hora ou outra sentia o cheiro do lixo. toda hora o ridículo lhe batia à cara. reprimia-se e não parava nunca. fluxo contínuo de rezas no automático. porque fazia isso, queria saber. porque fazia isso ali, como quem cagava, queria saber. e olhava suas unhas vermelhas segurando o terço de madeira e estranhava as palavras que iam, antes de protestar fazia a curva... prá seus desejos sexuais. reprimia-se. e fingia não ter a impressão de que aquilo era desespero.

terça-feira, 19 de maio de 2009

queria fazer um pudim.

um pudim igual ao que minha vó me ensinou. e que ele fosse amarelo e bonito como doce de vitrine.
queria fazer uma colcha. e conseguir fazer dela um manto colorido cheio de histórias. queria relembrar. tenho tão poucas memórias.
queria caminhar por um cemitério vazio. e me encher daquele silêncio intenso.
queria sorrir quando olhasse prá mim pelo reflexo dos vidros. queria não me perder. não me estranhar.
queria um conforto solitário.
aprender a cozinhar. queria que minha vó tivesse me ensinado algo que eu pudesse agora relembrar.

eu demoro prá admitir as perdas.
e finjo prá sempre que não as senti.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

uma virada mais doce.

na minha virada teve
sol.

teve o nóbrega abrindo as janelas todas
e jogando pro céu do
dia
suas cirandas e
girassóis.

teve o jorge e sua
lua.
nossa festa.
.
.
.
teve o doce lucas
e nosso
esconde
esconde.
ando fugindo de doce e me escondi sempre e tonta.
.
.
.
teve a nega.
ai
que
nega.
trouxe com ela todas as negas do
mundo.
acendeu os tambores
e fez o mundo girar ensolarado naquela
saia.
eita nega da boa!

teve uns meninos
lindos
que
chegaram trazendo nos bolsos
uma festa de
criança!
piscina de bolinhas coloridas
debaixo daquele
solão.
.
teve um
entardecer...
.
e o lobão prá dizer tchau.
depressa,
depressa
demais.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

de madrugada.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

peixes são iguais a pássaros só que cantam sem ruído som que não vai ser ouvido voam águias pelas águas nadadeiras como asas que deslizam entre nuvens peixes pássaros pessoas nos aquários nas gaiolas pelas salas e sacadas afogados no destino de morrer como decoração das casas nós morremos como peixes o amor que não vivemos satisfeitos mais ou menos todas as iscas que mordemos os anzóis atravessados nossos gritos abafados … afogados no destino de morrer como decoração das casas nós morremos como peixes o amor que não vivemos satisfeitos mais ou menos todas as iscas que mordemos os anzóis atravessados nossos gritos abafados...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

"o acaso é o pai da felicidade, meu caro. e a expectativa, a mãe da decepção."
ela, por maíra dvorek (do espetáculo "olerê olará)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

é só um sentimento.










da virada: fudida e maravilhada.

me perdi de tudo logo de cara.
sem bolsa, sem roteiro, sem grana, sem celular. passei a noite achando tudo muito cheio, muito feio. andei sem parar prá ver nada. só queria ver a minha bolsa de zebra.

às 6h. da manhã emburrada e cabisbaixa, chapada de sono e exausta,com com bolha nos pés e o joelho gritando, quem me aparece? quem? quem? quem?
no minuto seguinte encontro um rosto familiar. um pouso.
suspiro...
depois do banho, do sono, do pão quente com café, estou de volta e está tudo claro e festivo.
pulei o resto do nação. tomei cerveja e m e r g u l h e i no novos baianos!!!
queria só umas seis horas desse show. mágico. lindo. delicioso.

aflorou os sentidos todos e o prazer me focou.
tudo lindo.
assim como a força da alegria naqueles olhares... dançarinos que voavam acima de nossas cabeças e quase pousavam. por aqueles olhos fui beijada todo o tempo. e me davam o céu.
assim como uma gargalhada incontrolável e como quando as pessoas começam a se olhar nos olhos no meio da multidão.
como usufruir despudorada das pequenas liberdades possíveis e zombar das nossas grandes prisões.
assim como o sorriso desse preto. ! .
assim como quando as pessoas se trombam de frente ou como quando a gente dança sem música.
como o negro intenso dessa pele me provoca uma entrega irresistível. e eu olho, olho, olho...
o vento gelado surpreendendo o nosso morno malemolente... fecho os olhos e sorrio. cantando, cantando, cantando sempre.
assim como passar batom é um gesto íntimo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

tenho dado uns espios. neles tenho visto vários dos vazios que preenchem as frases feitas da minha vida. e todo mundo tem muitas né?
penso no apego e fidelidade que alimentamos em relação a elas. isso tudo é o que? sei que isso as faz cerceadoras. e limitam qualquer dos nossos movimentos. carrascas e burras frases ocas.
senti agorinha.
a gente diz a vida toda uma frase e lá pela quarta dezena de centenas de vezes que você diz, você diz diferente. e sente pela primeira vez a frase dita, embutida de uma crença real. ou será embutida de nós mesmos, realmente?
o que significa realmente?
vixi. amanhã tento de novo.

domingo, 26 de abril de 2009

é piegas e todo mundo tá cansado de saber. né?

"não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. a crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. a criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. é na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado." quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. a verdadeira crise é a crise da incompetência. o incoveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. sem crise não há mérito. é na crise que se aflora o melhor de cada um. falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. em vez disso, trabalhemos duro. acabemos de uma vez com aúnica crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."
albert einstein.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

não é a imagem dele, é a minha.

o insite óbvio. a tristeza medrosa que esse pipoqueiro me dá é aquela da menina de uniforme, com os olhos sempre pro chão, com um medo sempre tangente, como se alguém a fosse xingar a qualquer momento, ou empurrá-la pro abismo se ousasse um olhar de frente.
e era sofrimento aquilo de querer a pipoca e prá isso ter que enfrentar o assombroso semblante fechado do pipoqueiro. hoje acho que era apenas a tristeza dele se defendendo da minha.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

pipoqueiro.

eu vejo e revejo esse pipoqueiro. porra, da primeira vez que eu vi, na verdade, não foi a primeira. é que passei uma fase da minha vida vendo-o diariamente. na saída da escola. agora, depois de uns 20 anos, ele é todo igual. mesmo semblante, mesmas roupas, mesmo carrinho. foi uma coisa doida trombar assim com ele tão de repente. parece que caí no passado como quem cai da bicicleta. fechei os olhos prá sentir mais o cheiro ou pq. tive medo de olhar bem. meu coração disparou. quando abri os olhos de novo já tinha passado. não olhei prá trás nem pelo retrovisor. mas me emocionei e chorei.
acho que tinha que falar nele pq. ele me aparece toda hora agora... eu finjo que nem dou a mínima e não paro prá pensá-lo. mas tenho um medo dele, de ficar vendo-o assim toda hora. estranho... eu quero ter coragem de falar com ele. antes que ele volte pro passado.
e queria ainda mais e tanto fotografá-lo...

na escolinha do tunico.

hoje a gente tem que fazer uma roda e comer um pãozinho prá descansar. a gente tem que fazer uma asa prá gente voar e pular em cima do dragão. tem uma gente que tá com pouca tosse e a gente tem que sair lá fora e tomar uma aguinha prá sarar. aí a gente tem que comer merenda. vai ter suco de laranja com pão e laranja.

domingo, 12 de abril de 2009

foto: evgen bavcarde novo assim...

sigo atropelando atropelada sigo correndo... sem deixar vãos entre as palavras sem deixar os olhos se esbarrarem tanto e aí do que se diz nem sei nem sei. sei que tenho que ir embora de você e sei que tenho que ir tenho que ir tenho que ir e que ao ir embora de você é sempre assim... achar que não deu tempo vontade de voltar.

mas sigo em frente. vontade de voltar. dentro de mim uma dança sinuosa traiçoeira e louca faz querer sorrir faz arrepiar e queima. fecho os olhos e vem de novo o cheiro o corpo querendo dançar se enroscar se desfazer se desfazer se desfazer. queria ter tocado aquele arrepio.

mas sigo...
com vontade de voltar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

antes que eu me esqueça.




antes que eu me esqueça da minha cabeça escreve o teu nome nesse papel
já faz algum tempo que não somos amigos que eu quero esquecê-la renovar meu abrigo
mas o tempo é piada enquanto eu sou quase nada e eu só penso em tê-la em mim
e o que resta é tão pouco como eu sou pouco contigo
mas você em mim exagera e és meu mais novo vacilo
vou me distrair vou pestanejar vou engatilhar mas não disparar
ai de você se não me entender não me faça descaso ou vou me perder
entre chuva mal mágoa sem cessar em um dia frio longe do mar
e ai de você se não me entender eu vou quebrar seus olhos você vai se entregar
vanguart.

todo dia é demais prá minha cabeça...


todo dia assim.


é isso o que eles querem? eu tenho. é isso o que eles querem? lá vai. rs.


sem nóia, nem dor, sem cansaço e nenhum medo, sem deixar prá depois eu encaro o dia chegando junto e posso sair por aí como mulher maravilha, mãe unganda, ciciolina. brinco comigo, brinco com ele. cuido de mim, dele e de quem eu quiser. eu sorrio. passeio pelos sabores, construo as pontes, olho nos olhos, abro a janela, sorrio. eu tenho as escolhas. eu digo eu. sorrio.


todo dia sempre assim. vem a tarde botando banca, finjo que tô nem aí. embaralha as cartas, esconde os códigos, manipula as regras e me espreme. vem chegando em avalanche os bichos todos. estão dentro do guarda roupa, no espelho, no armário do banheiro, nos pés de página, na esquina e no telhado. vão chegando e vão entrando. roubam meu ar, meu espaço, meu saber. enraiveço. me escondo. entristeço.


todo dia assim. de noite sinto saudade de mim e olho muito pro céu. não sei muito de nada nem de mim e olhando o céu acho que sou falta. não lembro, me perco. já não ouço os sons e nem vejo o dia. quem sou eu quem sou ele, quem? fujo. com a esperança escondida no bolso de trás.


"ê menina, ê menina

oxum da mina


oxum mãe da clareza

graça clara, mãe da clareza

enfeita o filho com bronze

fabrica fortuna na água

cria crianças no rio

brinca com seus braceletes

colhe e acolhe segredos

cava e encova cobres na areia

fêmea força que não se afronta

fêmea de quem macho foge

na água funda se acenta profunda

na fundura da água que corre

oxum do seio cheio

ora iê iê me proteja

és o que tenho e receio."


luciana oliveira.

sábado, 14 de março de 2009

do bater com a testa no muro e do dizer tchau em paz.


não... olhar daí te engana, baby... quer saber? dá seus pulos ou bye. e se for, vai na boa, vai feliz, vai.

besteira querer te dizer, querer te emprestar meus olhos como se isso fosse um presente. pensei que o bem não está no que se mostra, mas no querer mostrar... tá vendo?

ahã... ahã... ahã... ... ... ...
...
...
nossos olhares nunca se cruzaram, nunca se enfrentaram, nunca se reconheceram, nunca se viram. nossos corpos nunca se entenderam, nunca se encaixaram, nunca se fizeram queimar.
a gente só reconhece no outro o que é da gente, não é? quer saber? nem sei.
você deve estar certo em querer andar de olhos fechados, e eu, o que sei eu? sei só que tô gostando da paisagem daqui.

sexta feira 13...


quer saber??? vou voltar a escrever por aqui. amanhã... pq. agora já são 4h. e tenho que ir dormir...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

eu já lhe disse, né?

existem pouquíssimas coisas... apenas palavras e silêncios.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

palavras bobas e teimosas para lú... mas não sem dor.

não sei se vai sair... quer dizer, vai sair, mas não sei o que. sei que vai ser feio e que eu vou me envergonhar. e sei que estou de saco cheio de me envergonhar de ser. sou e foda-se. hahahahaaaaa, até parece.
bom, nem sei como consegui continuar aqui, como se nada tivesse acontecido. nem sei como conseguiria encarar a falta que você me faz. o tamanho do meu amor. então continuo fingindo que não sei... não tomei conhecimento ainda da sua partida.
tem aqui em mim umas feridas que escondo debaixo das máscaras e da loucura minha, que anda assustando. essa dor é da categoria das palavras não ditas. uma falta e uma mágoa, acho. que tô aqui tentando definir, com os olhos que tenho hoje, sabendo que são mutantes, como tudo. e que choram demais. e sabendo que não sei definir nada no momento. pergunto: sei? e nenhuma voz grita lá de dentro. por hora digo: amo você de doer e tenho uma mágoa que ainda faz doer bastante também. amiga. um dia aprendo a ser. você me falta. silêncio.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

amargo.


hoje nem todo o doce que há no mundo tira esse amargo da boca...

domingo, 11 de janeiro de 2009

"verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste."


"e assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre presente e sempre igual."
fernando pessoa.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

e chegou 2009...

"o coração sem amor é só um relógio marcando as horas." ; )

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

escuro, mãos e talvez...

algumas flores morrendo. a música que cessou. o silêncio que foi e o que veio. o escuro do quarto, o suor debaixo do edredon. a tv ligada o tempo todo, sem um olhar. um cansaço triste no corpo, um não querer, não estar, não ser.
se um dia posso espiar pela fresta da janela fechada, me dá medo e vontade. mas não sei quem sou.
se eu não tivesse mãos que segurassem a minha... se eu não tivesse tanta coisa mal construída... se eu soubesse...
mas agora já posso sentir o gosto do chocolate outra vez. e olhar as árvores. talvez amanhã eu sorria.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

é... faz tempinho que não escrevo. no momento parece que vou mesmo abandonar esse blog. assim como gostaria de poder abandonar uma vida, trocar, simples assim. essa tá foda. tá vazio, escuro, estranho. nada entra nem sai, vou entrando e saindo dos dias, feito morta que ainda anda, dorme muito, come pouco, e odeia muito a tv que fica assitindo a maior parte do tempo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

esse tal...


Se você não demorar muito, posso esperá-la por toda a minha vida.

Oscar wilde.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

domingo.





terça-feira, 30 de setembro de 2008




de mudança...

alguém já disse que mudar é sempre melhor, mesmo que seja prá pior. acho que fui eu quem disse. e quem disse anda querendo me convencer disso. pois então... barrada no aeroporto voltei com a mala intacta, de caracas prá americana. levar a galerinha pro zoológico. dos meus lindos livres cantos pro cantinho de alguém do qual eu sempre fujo, pro qual eu sempre volto. prá um rolê com alguém de quem nunca gostei, prá um papo que me fez olhar diferente. talve até uma amiga, quem diria. da liberdade pro aconchego do debaixo das asas. da família, dos amigos. é bom estar de volta. é ruim demais voltar prá trás.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Não há muito a dizer, nunca há. Meia dúzia de palavras resolvem problemas de mil anos atrás. Fomos nos dizendo cada vez menos. Dizer sempre é uma outra coisa.

O chão é duro.

Leminsky.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

melhor sair
quero parir
quero brandir
explodir

melhor sair

quero parir

quero brandir

explodir

explodir

explodir

explodir


Dimitri Kozma

Observe atentamente o caminho que seu coração aponta e escolha esse caminho com todas as forças.

(Provérbio hassídico)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

tive um orgasmo incrível. senti-me até poderosa. devo ter sorrido. quando levantei prá deixar a água cair no rosto, chorei um pouco. sempre choro debaixo do chuveiro. ao sair do banho deixei de lado a camiseta furada e vesti cueca e uma camisa de seda, há tanto tempo guardada. me senti mais bonita e mais triste. estranho.

domingo, 14 de setembro de 2008

respondendo a um oi breve...

oi amada! é sempre muito bom receber os emails seus. ganho sempre um compartilhar, momentos tâo raros e bons... incrível mesmo como me vejo nos seus sentires... essa angústia que fica sempre a rondar. hoje estou especialmente assim, e tb. sem querer muito preservar esse sentimento, embora quase sempre ele permaneça.

acabo de querer fugir da casa da minha mãe, angustiada, cheia das nóias e irritações que não sei de onde brotam, mas que vêm com tudo muitas das vezes em que estou lá. preciso ir prá casa, com um sem querer tb., nem sei pq. um não querer começar mais uma semana, viver a vida que se leva.

fiquei com vontade de ver esse vídeo... de onde ele veio? se for da net, manda.

um beijo enorme,

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

a ervilha quer sair.

...
- se vc. quer ouvir uma estação, meu bem, não adianta sintonizar em outra pq. NÃO vai tocar. entende?
- sim.
- então trata de sair de debaixo desse fogão.
...

em contrução.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

festa do tunico!!!





quinta-feira, 28 de agosto de 2008

tem uma mulher...


que pensa que é menina, que pensa que já é velha demais, que pensa demais, que não pensa direito... que chora quando o filho tá longe, falta um tantão assim dela quando ele tá longe, mas sofre quando o filho tá perto. prá ela é difícil prá caralho manter a tal serenidade. saber ver bem o que é disso ou daquilo, o que é seu, o que é dele, o que é de verdade e o que é artifício. mas adulto tem que saber disso tudo. mas ela pensa que é menina ainda. menina fracasso. quando se olha no espelho é fracasso. velha demais prá não saber. fracasso absoluto. quase sempre não olha ao redor.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

parar dá azar.

alguém parado é sempre suspeito de trazer como eu trago um susto preso no peito, um prazo, um prazer, um estrago, um de qualquer jeito, sujeito a ser tragado pelo primeiro que passar...parar dá azar.
(leminski)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

presente.

quero estar sempre assim... quero estar presente. quero ouvir cada uma das suas palavras, quero saber olhar. quero estar pronta prá cada instante que chegar, quero saber perceber. quero estar aberta, quero ser. quero estar toda e firme, quero sentir. quero sentir de corpo todo, quero poder. quero mudar a direção pro outro, quero doar meu olhar. quero estar. ainda bem que tenho o tunico prá me ensinar.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

cabrera, cansada. atada. nada feliz. emburrada, emburrecida.


SOCORRO.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

encarnação do demônio

sou fã dos dois zés aí em cima, e me deleitei com essa cena, uma delícia, uma lindeza só.

estava ansiosíssima pela estréia do tardio "encarnação do demônio", do mojica, paixão antiga. me deliciava vendo o cine trash, cheiro de tempos antigos, em que eu podia passar as tardes no sofá, comendo podreiras.
o filme traz ótimos momentos, como a cena com o zé celso, linda e divertidíssima. mas eu sinto falta daquela estética da falta de grana. coisa minha. adorei.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

voltando das férias...







tive medo das férias... de não saber o que fazer dessa falta de script, medo das paredes de casa, medo de monstro, medo de mim.
vivi dias de uma delicadeza arrebatadora, deliciosos encontros.
brincar de luta com o tunico, passear pelos paralelepipedos, gargalhar. pintar o poste lá de fora com andorinhas (ele me disse que parecem tartarugas), ver filmes, tomar champagne, costurar minhas cortinas de bolinha... gostar de mim, do meu lugar. não gostar... não sofrer. teve tanta música, solidão da boa. solitude. teve o cuidar, embelezar. teve amor.

teve também o encontro do tunico com o mar. bonito. bonito. bonito demais.

"ser infeliz é um não enxergar além de si mesmo. não perceber a vida, o universo pulsando ao redor, mas sentir-se como o centro das atenções e o catalisador de todos os infortúnios. aprender a observar os movimentos externos, enxergar a dança do mundo, saber-se parte de um todo maior, cura a infelicidade desde a raíz." alessandra vidotti.

e ele me pediu prá tirar os óculos...

foi quando a gente ria, ria, ria... que ele quis ver meus olhos e puxou os óculos, me olhou profundamente e sorriu. foi naquele encontro dos nossos olhares que tive a certeza... ele sabe bem das minhas entrelinhas, sabe bem, sabe tudo de mim. me vê claro como o dia e a ele não poderei enganar nunca. não estou mais sózinha. amor. tunico.

terça-feira, 15 de julho de 2008

maluca.


"num dia triste de chuva, foi minha irmã quem me chamou prá ver, era um caminhão, era um caminhão carregado de botões de rosa... eu fiquei maluca! por flor tenho loucura, eu fiquei maluca. saí e quando voltei molhada com mais de dúzia de botões... botei botão na sala, na mesa, na tv, no sofá, na cama, no quarto, no chão, na penteadeira, na cozinha, na geladeira, na varanda e na janela era grande o barulho da chuva, da chuva... eu fiquei maluca, eu fiquei maluca." luiz capucho.

olhando pela janela do carro lotado...

"é sempre no passado aquele orgasmo, é sempre no presente aquele duplo, é sempre no futuro aquele pânico. é sempre no meu peito aquela garra. é sempre no meu tédio aquele aceno. é sempre no meu sono aquela guerra. é sempre no meu trato o amplo distrato. sempre na minha firma a antiga fúria. sempre no mesmo engano outro retrato. é sempre nos meus pulos o limite. é sempre nos meus lábios a estampilha. é sempre no meu não aquele trauma. sempre no meu amor a noite rompe. sempre dentro de mim meu inimigo. e sempre no meu sempre a mesma ausência."
o enterrado vivo, de drummond.

e eu vou dizer dessa infinita necessidade de solidão que coabita em mim com o desesperado desejo do encontro. penso que posso ser feliz se você me deixar ser sózinha, bem juntinhos... se você chegasse. se viesse.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

de férias entediada ouvindo josephine foster.

férias. tédio. o que tem que ser bom pesa. quase deprime.

só momentos.


apertar o pause, esquentar a sopa, apertar o play, atender a porta, ralhar com a molecada, apertar rew, chacoalhar a beatriz, ouvir as façanhas (reprováveis) do tunico, sorrir... apertar o play, dar um uta nele, me chatear com as reclamações da dona magali, sair da sala, voltar pra sala, ãh???? apertar stop, abaixar o volume, gritar já vou!!!!!!!!!!! apertar o play.... bons momentos vendo the darjeeling limited, de wes anderson. nostalgiazinha da boa. deitar com tunico até que ele durma, ficar longos minutos debaixo do chuveiro quente... pensar. passear as mãos pela cintura e perceber como estão mais largas... eu tinha 17 anos quando tinha coragem de jogar as bagagens todas pela janela. eu adoro chorar tomando banho. ou tomando chuva, mas não saio mais sem guarda-chuva. mesmo querendo um vulcão.


terça-feira, 8 de julho de 2008

cenas de uma festa linda...










domingo, 6 de julho de 2008

dia de domingo...


"amor é a coisa mais alegre, amor é a coisa mais triste, amor é a coisa que mais quero."
adélia.

terça-feira, 1 de julho de 2008

do chegar em casa...

olhar a rua, peculiar, que eu gosto. as luzes todas apagadas, coralina chorando a previsão do meu chegar, tenho medo de quando ela não mais me esperar... por cima do muro vejo que minha trepadeira de flores roxas vai bem, que bom. sempre foda achar as chaves dentro da bolsa, faço reclamando. acendo as luzes, coloco um som... na lista de reprodução, lindas cafonices... bom estar confortável em companhia da tristezazinha amiga minha, que me acompanha mas não me puxa pela mão. eu me sinto amadurecer, atenta a mim minuto a minuto, aceitando, perdoando. as coisas todas no mesmo lugar em que deixei pela manhã. lembro como eu quis essas coisas todas no mesmo lugar, esse silêncio... tá, na elaboração desse plano eu não inclui a tristezazinha, mas isso é coisa do fantasiar... isso foi o que eu escolhi, bom isso. banho quente, porta aberta, cantarolar... com ânimo especialmente renovado nas mais cafonas, robertão... "tudo vai mal, tudo... tudo é igual, quando eu canto e sou mudo, mas eu não minto, não minto, estou longe e perto, sinto alegrias, tristezas e brigo. meu amor! tudo em volta está deserto, tudo certo. tudo certo como dois e dois são cinco."
cozinho uma sopa deliciosa (juro), com um puta prazer, inédito, de coisinha em coisinha... fazia pro tunico, embora ele não esteja. ah, e foi tão bom fazer... dançando e cortando cebola! abri o vinho que estava na geladeira desde o reveillon e, olha, esses momentos que podem ser tão comuns a tantos ainda sortudos (olha o drama!) são raríssimos a quem é recém chegada a uma cidade, mora sózinha com o filho de 2 anos, trabalha (e leva isso a sério), não tem carro nem empregada e apresenta características obssessivas... parece reclamação né? não é. cantei, dancei, cozinhei, dancei, dancei, dancei... como aos 17 anos depois de fumar um. escolhi a melhor das opções.

e sabe o que é bom prá mim nessas de escrever aqui? é que eu tô atirando pudores pela janela, e tá bom ser brega, dizer os ridículos. manda aí robertão... "no meu radinho de pilha sempre escuto melodias que me lembram de você, cafonice talvez possa parecer, vou me modernizar, você vai ver, uma calça de agora vou comprar, vou ficar moderninho prá chuchu, vou até aprender falar inglês prá te dizer i love you, i love you... vou falar gíria e dançar o rock'n roll, e do castelinho vou ficar freguês, e se tudo isso não adiantar, vou vestir meu terno branco outra vez."

dos meus cantos...













segunda-feira, 30 de junho de 2008

óquiprávocê!!!


sabe o que a zebra falou pro carrapato? "você está na minha lista negra!" ahahahaahaaaaaahaaaaa!!!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

tunico.


"o menino ia no mato e a onça comeu ele. depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino e ele foi contar para a mãe. a mãe disse: mas se a onça comeu você, como é que o caminhão passou por dentro do seu corpo? é que o caminhão só passou renteando meu corpo e eu desviei depressa. olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia. eu não preciso de fazer razão."
manoel de barros, esse lindo.

lucil.


há meses eu te lia lá no blog das borboletas, de título inspirador e lindas imagens... (tenho uma pasta no computador com "imagens do lucil") eu entrava e me acomodava na poltrona, toda em casa... hehehe. aí um dia pensei: que feeeeia... e resolvi lhe comunicar a intrusa presença. mas foi só depois de a sua resposta ter me levado a te procurar e a te achar lá no tal do orkut é que me deu um ops... que menino é esse? agora me diz, menino lucil, pode me contar, você construiu minuciosa e maquiavelicamente essa personagem para arrebatar coraçõezinhos ávidos e indefesos, né? hahahahaaaa!!! tá bom, eu sei, sei bem que não posso mais me dar a esse luxo juvenil... sei bem do patético de sentir frio na barriga com a leitura de uma auto descrição, mas sabe? até suspirei... com todo o respeito à sua condição de apaixonado e com a nítida consciência da enorme distância que nos separa (espacial, e, principalemnte, cronológica), você descreveu ali o homem dos meus sonhos. ah! se ele existisse...
pronto, virei a página do irreal.
raro encontro, quer ser meu amigo virtual? existe isso? claro que não! não existe. quer?
beijo.

quarta-feira, 25 de junho de 2008


"o que me dói não é
o que há no coração
mas essas coisas lindas
que nunca existirão…"
fernando pessoa.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

há sempre algo de ausente, que me atormenta.

camille claudel.

delicatessen.


mas olha, coisa boa foi ver esse filme. essas coisas que os domingos nos proporcionam...

"sinto que a barbárie é, por vezes, vizinha da irmandade, do fraterno, da generosidade, mas por desconhecer sua verdadeira residência furta ao homem a lucidez e, desta forma amarra-o a tom de desespero sem que possa responder em juízo por todo o amor que um dia lhe foi negado."
marcos costa.

maravilhoso.

o espantalho.


não tenho tido tempo prá escrever aqui... na verdade acho que não sinto vontade de escrever quando não estou triste. penso eu que escrever é expurgar tristezas? não, não penso. não tenho o dom de exprimir alegrias mesmo. acho. bem que eu não esteja lá tão alegre, apenas digo que não andei triste por esses dias. ao menos não com aquela tristeza dramática, da qual eu gostaria de me livrar, mas livrar-me dela seria me perder... não sei.


bom, andei indo a festas juninas... adoro. o clima fraternal, a alegria pueril, as fumacinhas que saem dos copos, das bocas, os cheiros, os sorrisos, os sons, as cores, dar as mãos nas cirandas, sentir ímpetos de felicidade e depois um rubor... é como se eu estivesse me apossando de algo que não é meu, cometendo um ato ilícito. não faço parte. porque sempre esse sentimento?
e teve cadeia, correio elegante, bola na boca do palhaço, corrida do saco... quase me emociono só de escrever. tive a todo momento uma vontade imensa de fazer parte daquela alegria... dancei, fui presa, bebi, circulei, sorri para as pessoas, curti os sons. atenta. e estava com pessoas de quem eu gosto muito.

mas só no final da festa assumi minha tristeza e então me senti confortável de novo. fui prá casa.
não fiz nenhuma nova amizade. não conversei nada que não superficialidades. não encontrei ninguém que me acenasse com a promessa de uma alegria.
não quero mais inventar amores, não quero mais escolher "aquele", eu quero ser escolhida, arrebatada. quero uma mão prá segurar a minha, alguém prá compartilhar. quero receber flores e um correio elegante.

terça-feira, 17 de junho de 2008

viver no duelo dos contrários...



"nunca deixei de estar submetido à pressão simultânea de duas idéias contrárias e que me parecem ambas verdadeiras, o que me leva ora a ir de uma a outra, segundo as condições que acentuam ou diminuem a força de atração de cada uma, ora a aceitar como complementares essas duas verdades que, no entanto, deveriam logicamente se excluir uma à outra. tenho ao mesmo tempo, o sentimento da irredutibilidade da contradição e o sentimento da complementaridade dos contrários. é uma singularidade que vivi, primeiramente admitida, depois assumida, enfim integrada (...) a presença permanente das contradições tem em mim um caráter ao mesmo tempo existencial e intelectual; (...) assim, mais do que nunca e plenamente, vivo, submeto-me e me alimento dialógica e permanentemente entre fé e ceticismo, misticismo e racionalidade. o trabalho das contradições contínua. eis sua consequência existencial: viver no duelo dos contrários, isto é, nem na duplicidade sem consciência nem no ‘justo –meio", mas na medida e na desmedida; não numa resignação morna, mas na esperança e no desespero, não num vago tédio ou num vago interesse da vida, mas no horror e no maravilhamento."


(edgar morin, in "meus demônios")

quinta-feira, 12 de junho de 2008

eu quero um namorado, mas xxxxiiiiiiiiu, não conta prá ninguém...


"Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."
Hilda Hilst.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

ai...

... vivo esperando e procurando um trevo no meu jardim.